quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Moradores relatam ainda possíveis reféns no Complexo do Alemão


Foto: Internet
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, fez uma caminhada no início da tarde de hoje no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, ocupado pela polícia e pelas tropas do Exército há quatro dias. Durante a visita, ele comentou as denúncias que a ouvidoria da polícia vem recebendo. Entre os casos, estão os relatos de moradores que ainda estariam reféns de traficantes.
Apesar disso, o secretário pediu cautela. "Temos que ter cuidado com as suposições, pois elas atrapalham o caso".
No início da caminhada, o secretário foi parado por uma moradora que denunciou abusos de poder por parte de um policial. Após orientar a dona de casa a registrar a denúncia no ônibus da Defensoria Pública, instalado na entrada do Complexo do Alemão justamente para atender às necessidades dos moradores, Beltrame continuou a visita pelas ruas do conjunto. "Na medida em que essas denúncias forem chegando, elas serão apuradas e, se confirmadas, serão prontamente punidas".
O secretário falou também sobre uns disparos que teriam acontecido na madrugada. Segundo ele, houve apenas um tiro acidental por parte de um dos policiais.
O objetivo da caminhada foi o reconhecer a área, assim como ver de perto o trabalho que o Estado e a prefeitura têm feito no local. Segundo ele, a região onde se encontra o Complexo do Alemão ficou abandonada durante décadas, o que transformou a área em um terreno fértil para que o crime se instalasse no local.
A comunidade já pode notar, porém, as mudanças dentro conjunto. Há obras da prefeitura por toda parte. A secretaria do Trabalho se instalou para auxiliar os moradores a procurar emprego e expedir carteiras de trabalho para a população. As pessoas também podem retirar documentos junto ao ônibus da Defensoria Pública, assim como denunciar possíveis abusos. Os comerciantes voltaram a abrir as lojas e estudantes voltaram a frequentar as escolas.
Mesmo com esse clima de esperança, os moradores olhavam desconfiados para a comitiva e acenavam timidamente para o secretário, o que para ele é plenamente compreensível. "Esse povo viveu por muito tempo sob a ditadura do tráfico de drogas. São exatamente essas reações que nos dizem que temos que avançar e que estamos no caminho certo. Já temos a proposta e vamos consolidar. O que não podemos fazer é não tomar atitude e abandonar novamente a população".

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