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| foto internet |
A violência vivida pela menina de oito anos mantida por duas semanas em cárcere privado e sob agressão sexual de um homem adulto, namorado da prima que a sequestrou, impressionou até mesmo profissionais que estão acostumados a lidar com vítimas de violência.
De dentro um guarda-roupa, presa, a menina só conseguiu escapar do cativeiro porque achou um aparelho de telefone celular esquecido pelo sequestrador e acionou a polícia, que a libertou no domingo (dia 28). A prima dela, adolescente, foi recolhida à Fundação Casa. O homem que a agrediu, foragido da Penitenciária de Tremembé, continua à solta.
Mestre em saúde materno-infantil e integrante do núcleo de violência sexual do Hospital, psicóloga que atende dezenas de vítimas por dia, disse nunca ter visto nada parecido em mais de uma década de experiência. Comparou o episódio ao enredo do filme "Silêncio dos Inocentes" (1991), no qual as vítimas são encarceradas por um maníaco. Professor de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove), compara a agressão sofrida pela menina à violência que tirou a vida do garoto João Hélio, morto em fevereiro de 2007 no subúrbio do Rio de Janeiro, ao ser arrastado pelo cinto de segurança após o carro da família ser levado por assaltantes em fuga.
Livre do cativeiro, a menina aceitou contar o que viveu, mas rejeitou dar detalhes sobre o que o homem fazia com ela.
A psicóloga e o psiquiatra são unânimes ao afirmar que a menina precisa de tratamento adequado, sob pena de ficar doente agora ou mais tarde, quando adulta.
O tratamento realizado através de atividades lúdicas (que envolvem brincadeiras, jogos e atividades gráficas) poderá atenuar as marcas da violência, embora seja quase impossível apagá-las, segundo especialistas.

