quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Periferias cresceram nas regiões metropolitanas brasileiras nos últimos anos

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgou hoje que, a partir dos números do Censo 2010, as periferias de cinco das nove principais regiões metropolitanas (RMs) brasileiras cresceram, em termos populacionais, a percentuais superiores às de suas próprias capitais e até à da média nacional. O dado está no levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que teve a publicação oficial realizada na última segunda-feira (29).
A análise revelou que a dinâmica de crescimento por RM (aqui consideradas aquelas anteriores à Constituição Federal de 1988: Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), em comparação aos dados do Censo 2000, tem nas capitais índice inferior de aumento populacional em comparação com suas periferias.
Em todas as RMs, à exceção do Rio de Janeiro, as taxas das áreas periféricas se sobrepõem às das capitais, que, por sua vez, crescem a taxas bem maiores que a média nacional, de 1,17%.
Das regiões pesquisadas pelo Ipea, o maior índice de crescimento periférico em relação à capital foi anotado na Bahia: lá, enquanto a capital Salvador viu sua população crescer à taxa de 0,92% ao ano, o restante da RM obteve o percentual de 2,98%. A população da Bahia, como um todo, cresceu 0,52% ao ano.
Situação semelhante foi registrada no Ceará, Estado cuja população cresce, em média, 1,12% ao ano, enquanto sua capital (Fortaleza) crava 1,34%, contra 2,31% do restante da região.
Em Belém (PA), a quantidade de habitantes cresceu 0,84%, enquanto as demais partes da RM cresceram a 1,83% ao ano. Já a periferia da região metropolitana fluminense (0,56%) ficou aquém das taxas da capital (0,77%).
O comunicado do Ipea considera a população brasileira de 169,8 milhões de habitantes, conforme o Censo 2000, e a de 190,7 milhões, em 2010.
Técnico de planejamento do Ipea e um dos autores do comunicado explicou que os dados reforçam uma tendência de concentração do desenvolvimento nas chamadas áreas dinâmicas de desenvolvimento econômico, tais como as RMs e pontos litorâneos. Por outro lado, ilustrou, regiões historicamente de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo, tais como o semiárido Nordestino, veem um aumento populacional inferior à média nacional.
Conforme o pesquisador, aliás, o fluxo da população para esses pontos específicos, ainda que reforcem uma tendência que vem pelo menos desde a década de 1970, foi o que mais chamou atenção dos pesquisadores.
A próxima etapa de análise de dados por parte do Ipea depende agora de outras variáveis a serem divulgadas pelo IBGE sobre o Censo 2010, o que deve acontecer em abril de 2011, tais como grau de instrução e renda dos entrevistados.

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