Uma pesquisa da ONG Todos Pela Educação divulgada ontem (quarta-feira) mostra que apenas 58,1% das crianças de nove anos concluíram o 3º ano (2ª série).
Em teoria, aos oito anos a criança deve estar cursando essa turma, mas a entidade considera na classe correta aqueles que têm um ano a mais. É uma espécie de “extra” para levar em conta os estudantes que fazem aniversário em diferentes épocas do ano letivo.
A alfabetização até os oito anos de idade é uma das metas da Todos Pela Educação. No entanto, a pesquisa cita a inexistência de instrumentos de avaliação, como uma prova específica para esse grupo, para verificar a alfabetização das crianças nessa faixa etária. Isso prejudica a medição do nível de conhecimento desses estudantes, diz a ONG.
Quando consideradas as crianças que completam o 3º ano até os dez anos de idade, o percentual sobe para 84,2%. Ou seja: 15,8% dos estudantes da segunda série (3º ano do fundamental) têm 11 anos ou mais.
O estudo mostra também que as diferenças entre os Estados pode ser grande. O Paraná tem a maior taxa de conclusão aos nove anos (79,5%) e Santa Catarina, aos dez (95,1%).
A Paraíba contabiliza o menor percentual em ambos os casos. Apenas 40% dos alunos concluem esta série escolar aos nove anos, e 67,6%, aos dez. Isso significa que o atraso neste Estado é grande, pois muitos alunos do 3º ano do fundamental têm mais que 11 anos de idade.
Para a secretária de educação básica do Ministério da Educação essas diferenças se dão, principalmente, por causa da economia e do nível de vida dos Estados. "Não podemos negar que a diferença entre os índices de alfabetização da Paraíba e do Paraná têm relação com as condições socioeconômicos dos Estados e o contexto histórico dos dois".
Ela afirma também que a renda familiar influencia no nível educacional. "No Paraná, assim como nos Estados do sul do país, existe uma cultura educacional de gerações. Uma criança que come melhor, dorme melhor, vai ter um desempenho melhor na escola".
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