quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Socióloga diz que Rio não tem política de segurança

A socióloga e ex-diretora do Sistema Penitenciário Julita Lemgruber diz que o Rio de Janeiro tem política de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), mas não tem uma política de segurança ('a polícia do Rio soluciona 8% dos homicídios contra 60% de São Paulo na capital'). A mesma está lançando o livro "A Dona das Chaves - Uma mulher no comando das prisões do Rio", afirma que "legislar sob pânico" não é adequado para momentos de crise ("não é o tamanho da pena que reduz a criminalidade, mas a certeza da punição") e Declara que o "Brasil prende muita gente e prende mal" ("quem vai preso são pequenos traficantes e autores de pequenos crimes contra o patrimônio. Meio milhão de presos é um investimento na própria insegurança").
A autora de "Cemitério dos Vivos", estudo sobre o sistema carcerário, e  de "Quem Vigia os Vigias", sobre o controle externo na polícia, escreveu seu novo livro em parceria com a jornalista Anabela Paiva. O resultado são várias histórias graves, tensas, humanas, mas também saborosas do período em que dirigiu os presídios do Rio, entre 1991 e 1994.
Conta no livro que os guardas resumiram para ela os segredos de uma cadeia tranquila: 'bola, bala e bunda' (futebol, maconha e sexo). Aponta de forma grave o desinteresse da sociedade pelo o que acontece nas prisões: 'Boa parte dos cidadãos reage com indiferença ou mesmo com satisfação à violência contra os acusados de crimes. (...) A maioria dos brasileiros quer trancafiar os bandidos e jogar a chave fora', escreve.
"O Brasil não tem pena de morte. Esses homens e mulheres que estão presos hoje vão sair da cadeia algum dia. Se a gente trata essas pessoas com desumanidade, com crueldade, sem respeitar as famílias, tirando a possibilidade de contato dessas pessoas com o mundo aqui fora, estaremos criando monstros", afirma.

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